Oito gatos e um cachorro foram para delegacia e ficarão com ONG. 39 animais mortos foram encontrados em calçada na Vila Mariana.
Animais foram retirados da casa da suspeita nesta sexta (Foto: Juliana Cardilli / G1)
Animais foram retirados pela Polícia Civil por volta das 12h30 desta sexta-feira (13) da casa de Dalva Lina da Silva, de 42 anos, suspeita de matar mais de 30 animais e abandonar seus corpos na calçada de uma rua da Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo. Os animais estavam vivos e aparentemente em boas condições de saúde.
Eles foram levados pelos policiais para o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Lá, serão feitas as formalidades para que os gatos possam ficar sob a responsabilidade da ONG Adote um Gatinho.
Segundo integrantes da ONG, os animais irão inicialmente para um abrigo do grupo, mas ainda nesta sexta serão levados para casas de voluntários, com quem ficarão provisoriamente. Integrantes da ONG e policiais militares passaram toda a madrugada e manhã desta sexta em frente à casa aguardando a permissão para retirar os animais. Apenas após a chegada da Polícia Civil e do advogado de Dalva a retirada foi feita.
A mulher foi detida na noite desta quinta-feira (12) depois que um grupo de protetores de animais contratou um detetive particular para investigá-la. Segundo o advogado Rodrigo Carneiro, da ONG Adote um Gatinho, pessoas da área desconfiavam há anos da mulher, que recebia diversos animais de rua. "Só no ano passado temos uma estimativa de que ela recebeu 150 animais. Sabemos que cuidar de animais de rua é caro, e esses animais desapareciam. Ficamos desconfiados e resolvemos investigar", disse ele nesta manhã.
Apenas um cão estava dentro da casa (Foto: Juliana Cardilli / G1)Na noite de quinta, o detetive viu a mulher colocando pacotes na calçada de uma casa próxima no Cambuci, Zona Sul. Ao verificar os pacotes, constatou que se tratava de corpos de animais. Ele contatou os protetores, que chamaram a Polícia Militar. No boletim de ocorrência, consta que 33 corpos de animais foram encontrados – entretanto, em contagem nesta manhã, foram encontrados 39 – quatro cães e 35 gatos. Os corpos foram encaminhados para um laboratório particular contratado pelos protetores de animais, onde será feito o laudo com as causas das mortes.
Dentro do imóvel, além dos animais vivos retirados no início desta tarde, foram encontradas caixas de anestésicos e de cloreto de potássio – usado para sacrificar os animais. Segundo a Polícia Civil, a mulher foi liberada porque o caso é considerado de menor potencial ofensivo. À polícia, Dalva Lina da Silva, de 42 anos, assumiu a responsabilidade por apenas cinco animais – ela afirmou os recebeu doentes e tentou tratá-los. Como não obteve sucesso, aplicou anestésico para que eles morressem sem dor.
O caso foi encaminhado para o DPPC. Na delegacia, a mulher afirmou que há 13 anos resolveu, por conta própria, cuidar de animais de rua. Ela também disse que um abrigo de Diadema, no ABC, encaminhava animais doentes para que ela cuidasse. "Ela disse que tentava conduzir os animais para ONGs, e era negado", disse o delegado Wilson Correia Silva, da divisão de crimes contra o Meio Ambiente. "Ela admitiu que levou cinco animais a óbito, que segundo ela não estavam respondendo ao tratamento. Ela decidiu sacrificá-los, a aplicava anestésico. Os demais ela disse não saber como morreram, afirmou que não estavam sob seu cuidado."
Animais foram levados para delegacia e ficarão com ONG (Foto: Juliana Cardilli / G1)O delegado informou que será instaurado um inquérito para investigar o caso e que irá requisitar as imagens que o investigador particular afirmou ter das ações da suspeita. Os protetores de animais que contrataram o detetive também serão ouvidos.
O advogado da suspeita, Martim Lopes Martinez, confirmou a versão dada por ela à polícia. "Segundo ela, ela recebe cães e gatos doentes, de rua, e tenta tratá-los. Os que não conseguem sobreviver ela dá uma anestesia para que eles não sofram. Ela disse que ligava para várias instituições pedindo ajuda, mas isso era sempre negado", afirmou o defensor. De acordo com ele, Dalva é viúva vive na casa com as filhas de 22 e 5 anos, e não trabalha – ela vive de uma pensão deixada pelo marido.
Investigações
Vizinhos da suspeita e o investigador contratado pelos protetores relataram que os animais apenas chegavam à casa, e não deixavam o imóvel – o que causava desconfiança. Vizinhos também relataram ter ouvido ruídos de animais chorando na noite de quarta-feira (11). Eles também afirmaram que os animais que viram chegar ao imóvel estavam bem de saúde, e não doentes como a suspeita alega.
Segundo a veterinária Beatriz Mattes, da ONG, a maioria dos animais mortos eram filhotes, com idade entre 1 e 2 meses. Os corpos serão encaminhados necrópsia. Segundo ela, um dos animais mortos tinha marca de injeção no coração. Beatriz suspeita que Dalva tenha injetado cloreto de potássio – o produto foi encontrado pela polícia dentro da casa da mulher.
Ainda segundo a veterinária, os corpos foram encontrados com "aparência estranha". "Todos estavam em posições que definharam, encolhidos, todos defecados. Nunca vi uma cena tão feia em toda a minha vida".
Segundo deputado, morte de cães e gatos seria para abastecer mercado negro de sangue
O assassinato de 33 cães e gatos na madrugada desta sexta-feira em São Paulo é um forte indício de uma suspeita, levantada há meses por ONGs que trabalham na defesa dos animais, de que existe um comércio clandestino de sangue de animais no Brasil. As denúncias chegaram ao gabinete do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso, que explicou ao Terra que uma bolsa de sangue de um gato ou cachorro no mercado negro pode custar até R$ 300. Ele não acredita em outra hipótese para os cadáveres encontrados hoje em uma rua na Vila Mariana, zona sul da capital.
A polícia de São Paulo encontrou mais de 30 animais (cães e gatos) mortos em frente a uma casa na Vila Mariana, zona sul da cidade, na madrugada desta sexta-feira. (Foto: Helio Torchi / Futura Press)
"Você não faz um ritual religioso com 30 animais, pois o volume é muito grande e não há necessidade. Sem sombra de dúvidas pode haver um comércio paralelo para o sangue dos bichos, pois uma bolsa, segundo as ONGs que trabalham conosco, custa até R$ 300. Elas seriam vendidas para veterinários, clínicas e hospitais, para depois serem usadas em transfusões e outros fins. O inquérito policial deve confirmar", afirmou Tripoli.
Ele disse que solicitou à Universidade de São Paulo (USP) o exame dos cadáveres dos cães e gatos e o inquérito. O deputado ressalta que algumas ONGs já o vinham alertando sobre a suspeita e inclusive contrataram detetives particulares. "As ONGs já tinham se reunido para fazer uma investigação paralela para tentar entender porque eram encontrados animais na rua, em sacos. A apreensão de hoje demonstrou que a quantidade era grande e que os animais basicamente não tinham sangue à mostra", salientou Tripoli.
Nesta madrugada, o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) de São Paulo deteve, após denúncias de maus-tratos, Dalva Lina da Silva, 42 anos, suspeita de matar os animais. Ela foi localizada no bairro Vila Mariana e os animais estavam em sacos de lixo em frente à casa dela.
Na garagem da residência havia diversas gaiolas para transporte de animais. Na noite de quinta, ela foi vista jogando os animais mortos no lixo. Segundo a PM, ela falou que sedava e sacrificava alguns animais porque eles sentiam dor. Segundo a polícia, a mulher foi liberada porque o caso, segundo a legislação brasileira, é ainda considerado de menor potencial ofensivo. Ela afirmou que recebeu os cães e gatos doentes e tentou tratá-los, mas como não obteve sucesso, aplicou anestésico para que cindo deles morressem sem dor.
Polícia não descarta comércio de sangue
O delegado Wilson Correia, do DPPC, não descartou a hipótese do tráfico de sangue. Porém, ele prefere aguardar pelos exames veterinários. "Queremos saber as causas das mortes. Ela disse que matou apenas cinco, em estado terminal, mas não explicou as outras. Vamos checar para ver se realmente procede esta denúncia".
"É um mercado que até então ninguém imaginava que existisse, um mercado negro, porque o que ocorre é que os animais foram encontrados sem sangue e uma boa parte de anestésicos foi achado na residência. São indícios claros", ressaltou o deputado Ricardo Tripoli.
Assista ao vídeo / G1 - Mais informações sobre o caso
Um grupo de protetores de animais desconfiou da mulher e contratou um detetive particular para investigar o que ela fazia com os bichos. Mais de 30 gatos e cachorros foram encontrados mortos em sacos de lixo. (Bom Dia São Paulo - 13/01)



































